quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Como escolher a melhor casa nas férias?

Saiu recentemente um dos rankings mais interessantes para os viajantes, principalmente os que, como eu, gostam de alojamentos de baixo custo: Hoscars 2019! O Oscar dos hostels. Bom né? É uma lista dos melhores do mundo em diferentes categorias, como viagem sozinho ou em grupo, pequenos, médios e grandes, novos hostels etc. 

A busca por hospedagem é uma arte. Uma estadia ruim pode arruinar sua viagem, seja por estar mal localizada, pela limpeza do lugar, pela segurança... são muitos os critérios que os viajantes seguem para escolher sua melhor casa fora de casa. Sim, esse lugar vai ser sua residência pelos próximos dias, então é melhor que você se sinta confortável nela, não é mesmo?

Como as prioridades são diferentes de pessoa pra pessoa, cada um estabelece suas regras na hora de definir onde irá repousar seu querido corpinho durante uma viagem. Eu tenho os meus, obviamente.

Kyriad, nosso hotel na Disneyland Paris, 2018

Critérios eliminatórios

1- Localização
A primeira coisa que vejo é onde fica o alojamento. Não adianta pagar barato pra ficar do outro lado da cidade e gastar mais com transporte do que com o quarto. É importante saber minimamente seus pontos de interesse no lugar para ficar o mais perto (ou acessível) deles possível. Isso faz diferença também no quesito tempo. Imagina perder 2h por dia em deslocamento desnecessário? Tempo em viagem é um bem muito precioso pra desperdiçar assim.



Cat´s Hostel, Madrid, 2009. Falei sobre ele aqui.

2- Pontuação

Essa eu agradeço a uma amiga profissa em viagens que passou perrengue recentemente. E não to exagerando nem no profissa nem no perrengue. Ela é jornalista e seu trabalho é viajar o mundo. Maaaas, todos nós somos passíveis de erros. Vê só o que aconteceu com a Luiza quando se descuidou da pontuação numa viagem pelos Balcãs. Antes de saber da história dela confesso que nunca tinha reparado em pontuação de hostel nos sites de reservas, acho que acabava dando sorte mesmo porque não tinha muita paciência pra procurar e pegava entre os primeiros que apareciam no buscador (mais bem pontuados), desde que cumprissem os outros critérios. Agora estou beeem mais atenta. Obrigada, vizinha. Sua experiência me amadureceu. :)


Hotel Monverde, Amarante, 2017. Esse foi um presente da Bago D'uva 360º, ao qual sou muito grata. :D 

3- Locker
Tem que ter. Mesmo tomando as precauções de carregar sempre os documentos e dinheiro, minhas coisas vão ficar lá e quero que fiquem bem guardadas. Na Europa não costuma ter muito problema com roubos em quartos compartilhados de hostel, mas eu vim de Nova Iguaçu, né? Aprendi a vida inteira que todo cuidado é pouco, não vou me descuidar agora. O seguro morreu de velho. 

Vista do Inhawi Boutique Hostel, Malta, 2018. Uma grata surpresa. Foto: google

4- Preço

Não adianta, pode ser no melhor lugar possível e ter nota 10, se for caro infelizmente terei que passar. Eu geralmente viajo com orçamento limitado, então sou muito criteriosa com todos os gastos. Mas tem que ter um preço compatível com o nível de conforto. Não dá pra pagar preço de hotel pra dividir quarto e banheiro com 20 pessoas.


Castle Rock, Edinburgh, 2017. O hostel mais incrível que já conheci!

Critérios preferenciais

1- Café da manhã
É sempre melhor quando o café da manhã está incluído. Em hotéis isso quase nunca é uma preocupação, mas nos hostels (onde geralmente me hospedo) tem que prestar atenção nesse detalhe.



Caulaincourt Square Hostel, Paris, 2011. O melhor café da manhã de todos os tempos! Foto: google

2- Fotos

As aparências enganam? Pode ser, mas muitas vezes as aparências alertam. Eu não sei, mas se cismar com as fotos de um alojamento não reservo. Pode ser implicância, mas gosto de ter boa impressão do lugar antes de ir e as fotos de divulgação (não de hóspedes) tem que passar essa boa impressão.


Equity Point Gothic, Barcelona, 2011. O melhor no quesito privacidade em quartos coletivos.

3- Duração da estadia
Minhas viagens costumam ser mais curtinhas, de 2 ou 3 noites. Nesse caso dividir quarto e banheiro com outras pessoas é tranquilo, passa rápido. Agora pra 5 ou mais noites acho que merecemos um pouco mais de conforto.


Finalizando com o último momento ostentação, Puralã Hotel & Spa, 2018. Porque todos da Bago D'Uva 360º merecem. ;D

City Hostel Berlin: um hotel 5* para baixo orçamento

Uma das escolhas mais importantes numa viagem é, sem dúvida, a hospedagem. Escolher um bom hotel/hostel/apartamento vai facilitar muito a sua vida. Eu, graças a Deus (e a muita pesquisa) costumo ter sorte com minhas escolhas. Sempre opto por hostel por ser mais barato e porque eu gosto desse estilo de hospedagem, geralmente quartos coletivos mesmo, mas na última viagem a Berlin, como estava com minha irmã e ficaríamos 5 noites, preferimos o conforto de um quarto duplo com banheiro privativo. Faz toda a diferença. 

E aí que, seguindo meus critérios eliminatórios, apresento a vocês o City Hostel Berlin. Acho que não existe lugar melhor na cidade pra ficar (falou a voz da experiência de quem só foi uma vez). Do lado de uma estação de metro e a uma pequena distância a pé de praticamente todos os principais atrativos que queríamos conhecer. Foi perfeito. 


Tem ou não tem cara de hotel de luxo?

Além da localização excelente o lugar parece um hotel mesmo. Quando viramos a esquina e demos de cara com aquela fachada linda quase choramos de emoção. Precisávamos desse mimo depois do desastre que foi o hostel em Paris (assunto pra outra hora). 

O staff é muuuito simpático, tem sempre alguma gostosura pra comer na recepção (como era época de natal todo dia tinha um doce natalino diferente). Tem ELEVADOR!! Ok que era um prédio de 4 andares, mas já vi muito hostel de 4 andares sem elevador, então é sim um luxo a ser comemorado.

Pra ser 100% perfeito faltou ter café-da-manhã incluído. Precisamos pagar a parte e acabamos não tomando todos os dias porque ia pesar no nosso orçamento. Mas era um café super completo, com cereais, pães, frutas, manteiga, frios, geleia etc.


Espaço onde é servido o café da manhã. Foto: amoma.com

Nosso quarto era enorme! Maior que muito hotel que já fiquei. Tinha 2 camas separadas, armário, espelho grande, janelão, mesa, bastante espaço pra abrir as malas, espaço pra pendurar roupas tanto no quarto quanto no banheiro, chaleira elétrica e chá para aquecer um pouco no inverno alemão. E como tava frio! Sentimos falta de um aquecedor mais potente, porque o quarto era tão grande que o aquecedor não dava vazão, mas nada muito sofrido. 

Não tiramos foto, mas era igual a esse. Foto: amoma.com

Curiosidade: o banheiro não era um só, eram dois. Um só pro vaso e um pro chuveiro. A pia ficava no quarto mesmo. Coisa de hostel né? Pra uma pessoa não ocupar um espaço todo sozinha. Enquanto um toma banho o outro pode ir pro trono com total privacidade. 


O hostel fica na Glinkastraße 5-7, 10117 Berlin, Alemanha

O único porém é sobre o horário de limpeza do quarto. Em quartos coletivos a gente se prepara pra estar sempre rodeado de estranhos, pessoas que entram e saem a qualquer momento. Num quarto duplo estávamos mais a vontade pra trocar de roupa, por exemplo. Mas esquecemos de colocar aquele aviso de "Do not disturb" na porta, então nos primeiros dias o pessoal tentou entrar no quarto sem cerimónia pra limpar. Depois que lembramos de colocar o aviso isso não aconteceu mais. Lembre sempre do aviso na porta.

Nossa casa em Berlim foi ótima. Confortável o suficiente pra fazer nossa estadia na cidade ser a melhor possível. Quero muito voltar no verão e ver a cidade vibrante e cheia de vida. Se já gostei dela cinza, chuvosa e com as árvores secas, imagina verdinha, com sol e calor! :)




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A escadaria mágica da Lello

Eu nunca assisti/li Harry Potter, mas conheço a história por trás da obra. É quase impossível morar no Porto e não saber algumas coisas sobre esse bruxinho que fascinou toda uma geração e que até hoje impacta diretamente no turismo aqui da Invicta. 


Sim, hoje vamos falar da Livraria Lello, cujas escadas ondulantes revelaram magia aos olhos de J. K. Rowling e serviram de inspiração para criar as escadas mágicas que levam Harry e os amigos a passear por algum lugar em Hogwarts (meus conhecimentos sobre isso terminam aqui). Mas a verdadeira magia da Lello é que ela não é encantadora só pros fãs de Harry Potter, ela aparece em praticamente todos os rankings das livrarias mais bonitas do mundo. Portanto, é mágica também para nós, amantes de livros. 



E é por isso que a Lello merece todo o sucesso que vem fazendo ao longo de seus quase 113 anos, a completar no próximo dia 13 de janeiro. Mais sobre a fundação e a história da livraria você pode ler aquiAlém da história, a Lello proporciona experiências marcantes aos seus visitantes (a tal magia que falei acima). Vou contar a minha, pode? Então tá. :)

Devido a popularidade da saga Harry Potter o número de visitantes aumentou vertiginosamente, levando os proprietários a cobrar pela entrada na livraria desde 2015, valor que é revertido em desconto na compra de qualquer livro. Na altura (2016) pagamos 3€ pela entrada, atualmente custa 5€. Essa cobrança ainda gera muita discórdia, considerando que é "apenas" uma livraria, onde todos tem direito de entrar para olhar/comprar livros. Já foi assim, mas é complicado controlar a circulação de mais de 1 milhão de pessoas por ano que não querem necessariamente comprar alguma coisa, não é? O espaço é pequeno e a gestão se tornou insustentável sem esse controle. Enfim, efeitos menos positivos do turismo que acontece em vários lugares do mundo. Adiante.



Hoje em dia os vouchers para entrar são vendidos numa loja ao lado da livraria, onde também comercializam outros produtos interessantes, desde cadernos com capa de couro e livrinhos de receitas portuguesas a bonequinhos de personagens de Star Wars. 

A primeira vez que a visitei foi por influência de uma amiga, quando passamos um dia no Porto. Eu não sabia nada sobre os bruxinhos, mas sempre gostei de livrarias, então curti demais da visita. Fomos no início de agosto, auge do verão e da temporada turística na Europa, ou seja, milhares de pessoas se apinhando nos corredores estreitos da livraria procurando um espacinho para tirar foto das escadas e dos detalhes.

Imagina que delícia era simplesmente sentar e ler na Lello antes da multidão a descobrir.

Fico imaginando como era visitar a Lello antes, como era poder passear com calma e silêncio por entre as estantes de madeira trabalhadas, subir e descer as escadarias vermelhas sem esbarrar em dezenas de turistas. Com certeza tinha outra magia, outro encanto, talvez só para os amantes de livros.