segunda-feira, 10 de julho de 2017

Três dias em Lisboa - Parte II: Sintra

Demorei, né? Considerem as desculpas anteriores e vamos seguir em frente. Esse roteiro de Lisboa fui dividido para não ficar um post longo demais, mas não tinha a intenção de levar meses entre uma postagem e outra. Coisas da vida. Let's move on.

2º dia: Sintra
Hoje é dia de sair um pouquinho do centro e conhecer uma das cidades mais românticas de Portugal. Daria pra fazer Três dias em Sintra numa boa, e pretendo, mas antes preciso conhecer as outras partes interessantes que ainda não fui. Por enquanto, um dia em Sintra é suficiente pra te encantar.

Em 1995 Sintra é o primeiro lugar da Europa a ser classificado como Paisagem Cultural - Património Mundial da Humanidade pela UNESCO (serra e vila histórica).


 Centro histórico de Sintra visto a partir do Castelo dos Mouros, com o Palácio Nacional de Sintra ao centro.

Ir de Lisboa à Sintra à casa da tia Jacinta sem carro é muito fácil, numa viagem de comboio que leva cerca de 50min (a partir da estação Oriente). Chegando lá pode-se pegar um autocarro direto que leva até o Castelo dos Mouros e Palácio da Pena. Eu aconselho começar pelo Castelo dos Mouros, que é mais longe e depois pegar o autocarro de volta ao Palácio da Pena, então seguir até o centro histórico da cidade.


Avistando o Castelo dos Mouros

Primeira coisa importante a saber sobre o Castelo: venta! E venta com força, o tempo todo! Faça um percurso pelas muralhas, conhecendo as diferentes bandeiras que Portugal já teve, aproveitando as vistas de tirar o fôlego e curtindo todo o verde em volta. 


Castelo dos Mouros

  Bandeiras perdendo a costura com a ventania

Detalhe das muralhas do castelo no canto direito, dá pra percorrer isso tudo.

É uma fortificação militar do séc. X, construída pelos muçulmanos quando conquistaram a Península Ibérica e ampliada pelos cristãos, na reconquista no séc. XII. Centenas de anos de história, com achados arqueológicos, vestígios religiosos e do cotidiano das gerações que por ali passaram, portas de fuga, torres estratégicas, tudo para alimentar sua imaginação sobre o poderio bélico de outrora.


 Caminhando pelas muralhas

 Pense numa posição estratégica. Não se perde nada lá de cima.

Porta da traição, comum em muitas fortificações, uma saída estratégica em caso de invasão, mas também uma perigosa brecha para entrada de inimigos.

Depois de aprender mais sobre guerras, disputas e conquistas territoriais em todo o percurso do Castelo dos Mouros, merecemos um descanso para a mente. Por isso, sigam-me até a próxima parada.

O Palácio da Pena não tem nada a ver com o Castelo. É luxo, cor, ostentação, romantismo.


Esse passeio está incluído em 99% dos roteiros românticos de Portugal. Bem, talvez agora nem tanto, viu? Já começamos a explorar outros destinos muito legais para casais no país, na própria Sintra mesmo, mais privados e aconchegantes também. O palácio é uma visita boa para todos, não o vejo como "destino de lua-de-mel". Tá no combo das atividades que o casal pode fazer em Sintra, ok, mas é uma visita democrática. Não se acanhe se você não for casal. :D



Em 1503 começou a ser erguido um mosteiro onde atualmente temos o palácio. O Real Mosteiro de Nossa Senhora da Pena foi construído pelo rei D. Manuel I e entregue à Ordem de São Jerónimo, permanecendo até a extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834. Assim como muitos outros mosteiros, foi então abandonado até que 4 anos depois D. Fernando II o adquiriu em casta pública e deu início a construção do palácio que conhecemos. Foi residência da família real até 1910, quando foi implantada a República.


 Castelo dos Mouros visto do Palácio da Pena
Não é permitido fotografar dentro do palácio, o que muitas vezes é vantajoso, porque, como já falei antes, a gente esquece a preocupação de tirar foto de tudo e aproveita pra apreciar a visita.

É interessante ver como as famílias reais viviam, né? Tinha quarto pra tudo: pra tomar banho, pra ler, pra fumar, pra conversar, pra dormir, pra pentear o cabelo, pra pensar na vida, pra brigar, pra fazer as pazes, quarto pra passar de um quarto pra outro... Ok, alguns temas acima são dem inha autoria, mas não duvido que haja em algum lugar pelo mundo. Já foi em todos os palácios do mundo? Nem eu, então por enquanto não to mentindo. kkkk

É todo colorido, gente. Tão lindinho.

Além do palácio em si, é possível visitar o parque com mais de 500 espécies de plantas, praticamente um jardim botânico da Pena. Nesse eu não fui, não tínhamos muito tempo, mas certeza que está na minha lista para voltar. Seguindo.

Palácio Nacional de Sintra! Aquele que vimos na foto ali atrás, bem no centro histórico da cidade, sabe? Que tem duas chaminés gigantes. Esse é bem diferente do Palácio da Pena, beeeem mais antigo também. Sua construção original remonta ao séc. XI, antes de Portugal se constituir como país. Ao longo dos anos vários reis investiram em reformas e ampliações, claro. Por dentro vemos novamente aposentos reais que nos fazem imaginar um pouco como seria a vida naquela época. Nesse palácio o que mais impressiona é a cozinha. Isso mesmo, a parte menos nobre, que os reis nem deviam visitar muito, mas que é de uma grandiosidade absurda. As tais chaminés integram um espaço enoooorme, onde você imagina um batalhão cozinhando pra cento e duzentas mil pessoas por dia. ahahha


 Da primeira vez que fui tirei umas fotos péssimas. Nossa, não sei como eu conseguia desfocar tanto.

 É bem menos luxuoso que o outro, mas igualmente lindo.






Olha essa cozinha! Dá ou não dá pra preparar um almoço pra vila inteira?

Informações práticas: Horários, preços, como chegar, sobre os monumentos... tudo isso é muito fácil de encontrar aqui. Um dos sites mais explicativos e simples que conheço nessa área.

Se você é como eu provavelmente não vai ter muito mais tempo depois disso, porque ficou horas admirando a paisagem e os espaços que visitou. Mas Sintra ainda tem muito mais pra ver! Eu ia sugerir o Museu do Brinquedo, considerado um dos mais importantes dessa categoria em Portugal, que foi uma grata surpresa, mas descobri que fechou. #arrasada

Enfim, ainda precisamos visitar a Quinta da Regaleira, Quintinha de Monserrate, Convento dos Capuchos... fazer umas trilhas por lá. Ouvi dizer que a caminhada até o Castelo dos Mouros é maravilhosa. Bora?


segunda-feira, 27 de março de 2017

Três dias em Lisboa - Parte I: Belém e centro histórico

Quero esclarecer uma coisa: esse post vai ser o primeiro roteiro de três dias dividido em três partes, porque achei que estava ficando longo demais e porque ainda não fiz o terceiro dia e quero publicar logo. #sousincera kkkkkk

Dito isto, vamos ao que interessa.

Pois é, não sei porque demorei tanto pra fazer esse roteirinho... é uma cidade que gosto mais a cada vez que visito. Das primeiras vezes, pra mim, Lisboa se resumia a Belém. Tanto que foi a única coisa que falei dela até agora.

Mas muita coisa mudou desde então e já voltei muitas vezes pra descobrir lugares lindos por lá. Agora sim, com muita honra eu apresento a vocês a capital de Portugal! Sempre naquele ritmo slow travel que a gente ama.


Castelo de São Jorge

1º dia: Belém, Praça do Comércio, Chiado e Rossio

Vamos começar mostrando pro mundo que sou preguiçosa e portanto esse primeiro dia vcs encontram aquiObrigada. De nada.

Brincadeira, aí no link tem a parte dos monumentos em Belém, que sugiro serem visitados nessa ordem: Torre de BelémPadrão dos DescobrimentosMosteiro dos Jerónimos e Pastéis de Belém, por motivos de: aproveitar a caminhada num sentido só. 

Depois de comer uns pasteizinhos, uns 6 ou 7 pelo menos (#vaigordinha), pegue um Eléctrico até a Praça do Comércio (linha 15E), que passa praticamente em frente à pastelaria, do outro lado da rua.

Eu disse uns 6 ou 7...

Mas é Praça do Comércio ou Terreiro do Paço? No início do séc. XVI, no auge das conquistas marítimas, o rei D.Manoel mandou construir um luxuoso palácio nessa região, de frente para o rio Tejo, chamado Paço da Ribeira. Infelizmente tudo foi destruído no terremoto de 1755, que arrasou com toda a cidade. Nessa altura o Marquês de Pombal resolveu reconstruir a capital, com ajuda de doações dos comerciantes, a quem homenageou chamando o novo espaço de Praça do Comércio. Também ficou conhecido desde então como Terreiro do Paço, relembrando o palácio que havia anteriormente.


 Praça do Comércio de fundo e eu, coroada com o Arco da Rua Augusta. ;D

E do outro lado, com o rio Tejo ao fundo.

É uma das maiores praças da Europa, onde atualmente se encontram quase todos os ministérios do governo português. Na sua entrada principal há um Arco do Triunfo, também conhecido como Arco da Rua Augusta, que dá início à rua de mesmo nome, com lojas e restaurantes para todos os gostos. Foi palco de grandes movimentos políticos, e chegou a ser usada como parque de estacionamento nos anos 1990. Hoje é o ponto principal de eventos, shows e turismo da cidade. 



Pronta pra receber o natal, com uma super árvore!

Vale a pena passear com calma por ali, se perdendo nas ruas do centro histórico de Lisboa, subir o Elevador de Santa Justa só para tomar um café e apreciar a paisagem ou seguir caminho para o Rossio, curtindo uma dinâmica de cidade cosmopolita bem diferente e única em Portugal.

Enfim, estando por aí, aproveite o restante do dia caminhando e descobrindo pequenas delícias de Lisboa. Ainda no centro histórico pode aproveitar para visitar o Castelo de São Jorge e ter uma das vistas mais privilegiadas da capital, mas, particularmente, eu não iria lá nesse dia. O Castelo precisa ser visitado com calma, e depois de uma passeio cansativo como esse pode não ser tão convidativo. Mas teremos tempo para ele mais tarde. Aguarde e confie. ;)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Guia do viajante solitário: Pedindo foto

Depois de mostrar como é possível fugir das selfies viajando sozinho aqui, queria aproveitar pra dar outra dica pra sua viagem solo ter registros dignos de gente criativa. Nas minhas últimas férias viajei sozinha pra Itália, mas pelas fotos algumas pessoas perguntaram "Vc tava com quem?" Porque não me limitei a tirar selfies, eu queria fotos diferentes, queria interagir, sabe? A solução? Pedir! "Can you take a picture, please?" foi o que mais falei, e se não souber falar inglês não tem problema, é só apontar sua câmera pra pessoa e sorrir que ela vai entender. A questão é saber escolher a pessoa certa pra tirar sua foto. E esse, meus amigos, é o minicurso do viajante solitário de hoje. De nada.

Módulo I: Quem?

Pela minha experiência existem basicamente dois critérios: 
- ter uma boa câmera
- parecer simpático

O segredo é procurar alguém com uma câmera boa na mão, porque as chances dessa pessoa saber tirar uma foto boa é maior. 


Olha que enquadramento maneiro!

Veja também se a pessoa não está com pressa ou com cara de mal humorada, porque queremos alguém feliz pra pedir um favor, né não? Em Veneza encontrei um senhorzinho muito gente boa que tirou fotos minhas comendo um gelato. Ele mesmo falava "mais uma", "essa acho que não saiu bem", "vê se ficou boa", "o gelato tá bom, hein...". Um amor esse senhorzinho italiano.

                

                

As pessoas simpáticas são fáceis de identificar. Geralmente são turistas, caminhando felizes, curtindo as férias... Aposte nessas pessoas, vai por mim.


Módulo II: Foto em sequência

Essa função das câmeras modernas mudou minha vida: foto em sequência. Vê se seu celular faz isso, sério. É só clicar no botão da foto e manter apertado. Sai um monte de fotos, tipo filminho, aí escolhe as melhores e voilà! Habemus photographia! (ai, to tão poliglota! kkkk) Foi assim que consegui as fotos mais legais da viagem, como na caça aos pombos. Se seguir o módulo I vai ver que fica com muitos registros incríveis. Uma das sortes que eu tive, por exemplo, foi encontrar um casal super legal na Piazza San Marco que topou registrar meus momentos de caça ao pombo. Eles se divertiram também, fizeram várias sequências. Fiquei uns 5 minutos correndo pela praça feito uma criança feliz. Olha só:





 
Sim, eu saí pela praça correndo atrás de pombos enquanto dois estranhos estavam com meu celular novo tirando fotos minhas. Ah, deixei minha bolsa com eles também, pra não atrapalhar a corrida.

Módulo III: Escolha uma paisagem fácil

Outra sequência muito legal foi feita em Roma, por uma família que estava se divertindo e tirando fotos também. 













Esse último achei o melhor clique de todos. Nas fotos em sequência eventualmente várias serão muito parecidas e descartáveis, mas vale a pena pelas preciosidades que sempre aparecem.

Gente, e tem como uma foto sair ruim com esse dia lindo e o Coliseu ao fundo? Não tem! Uma paisagem bem escolhida valoriza demais suas fotos, e facilita a pessoa que você pediu entender o enquadramento que você quer, sabe? Aquela foto conceitual, com jogo de figura e fundo, é melhor evitar nesse momento. 

Módulo IV: Se ofereça para retribuir

Seja também um daqueles turistas felizes que procuramos no primeiro módulo. Isso é muito eficaz quando se aborda um casal, porque você pede sua foto e se oferece pra fazer uma deles também. Aí você vai se esforçar pra tirar fotos lindas como gostaria que fizessem com você, certo? E assim se perpetua esse ciclo de convívio entre viajantes.