segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Minha vida a bordo

Quando comecei a trabalhar em um navio não sabia exatamente o que esperar da minha rotina. Tinha algumas expectativas pelo que pesquisei antes, sabia que seria um tempo de muito trabalho e aprendizado, mas também me imaginava passeando pelo mundo nas minhas horas de folga. Assim que soube que meu roteiro seria no Caribe... ah, já me imaginei pelas praias azul turquesa todos os dias sendo feliz como se não houvesse amanhã. Acontece que há um hoje e um amanhã, de muuuito trabalho, então todas essas horas de folgas no começo do contrato foram para dormir e descansar meus doloridos pés de ficar 10h/dia em pé. 

Esse foi o momento que vi minha casinha pela primeira vez e já me apaixonei. 

E assim se passaram as primeiras semanas, mal saindo pra ver a luz do sol, que dirá passar horas na praia. A verdade é que meu horário nem sempre era favorável para sair do navio. Normalmente eu tinha cerca de 3h de intervalo no meio do dia, o que não dava muita margem para grandes passeios. Muitos dos portos onde paramos é longe das atrações e das praias, então precisa contar o tempo de táxi para chegar nos lugares, os dólares gastos, calcular bem o tempo para não se atrasar na volta... tudo isso comparado ao fato de ter piscina, jacuzzi e internet ilimitada (paga) e boa no navio me fazia ficar quietinha no meu canto me recuperando entre os turnos de trabalho. 

Eu trabalho no atendimento ao cliente, que foi a área que escolhi e gosto muito! Para entender melhor é preciso visualizar o navio de cruzeiros como o que ele é realmente: um grande hotel flutuante. Nosso trabalho é basicamente a recepção do hotel. O check-in é feito antes de embarcar, então os passageiros não tem que obrigatoriamente passar pelo nosso balcão. Só nos procuram quando tem dúvidas ou reclamações. Apesar de não ter nenhuma experiência direta nesse tipo de atendimento, como guia de turismo eu atendia bastante as dúvidas e reclamações dos meus clientes. Isso foi fundamental para me fazer desenvolver as habilidades para esse serviço. As competências técnicas e o conhecimento do sistema e dos serviços prestados no navio é que foram - e ainda são - o grande desafio. 

O sorriso de quem foi correndo trocar de roupa no meio do expediente porque hoje é noite formal. Com esse uniforme eu me sentia violando as normas da praxe sem a capa (entendedores entenderão).

Minha primeira semana foi um caos. Essa é a forma mais gentil que posso descrever esse momento. Era a primeira vez que eu pisava em um navio. Comecei a trabalhar observando meus colegas e tudo era muito confuso, muitos programas, muitas senhas, muitos sistemas informáticos para aprender. Para cada solicitação tem várias etapas a cumprir. Tudo é rigorosamente registrado e não tem muita margem para erro, porque lidamos com informações pessoais e financeiras dos passageiros a bordo. A primeira reação é: pânico! O que que eu to fazendo aqui? De onde eu tirei que ia conseguir? Nunca vou aprender isso tudo! Calma, respira. Vai dar tudo certo.

E deu. Deu super certo! Em três semanas eu já estava lidando com dinheiro em caixa, já tinha senha para todos os sistemas e conseguia resolver muita coisa sozinha. Mas também ainda pedia bastante ajuda aos colegas e supervisores, porque TODO DIA aparecia uma demanda nova sobre algo que eu nunca tinha ouvido falar antes. Essa é a parte difícil. Aprendizado diário, pessoas diferentes, cada uma com um jeito de lidar. Não dá pra mentir, é cansativo, suga todas as suas energias, mas é gratificante. No fim do expediente sempre vinha aquela sensação de "sobrevivi a mais um dia". 

E o orgulho? :)

Um ambiente novo é sempre desafiante e isso se potencializa ao infinito num ambiente novo E confinado. Durante meses você convive com as mesmas pessoas, frequenta os mesmos lugares e come a mesma comida. Não posso dizer que é uma rotina monótona porque é exatamente o oposto, uma rotina emocionante!

O convívio em confinamento aflora TODAS as suas emoções, as boas e as que você nem gosta tanto. Lembro de chegar no quarto com vontade de chorar sem motivo aparente e encontrar minha colega de quarto chorando, também sem motivo aparente. Então colocávamos uma música e chorávamos, ríamos e conversávamos por um tempo. O navio exige uma maturidade emocional que vai fazer toda a diferença entre passar 6 meses de aventura e crescimento ou 6 meses de frustração e cansaço. 

Primeira vez que saí do navio, em Bonaire.

Meu porto favorito, Grand Turk. Descer do navio já pisando na areia pra mim é a definição de perfeição.

O que nos mantem emocionalmente saudáveis a bordo são os amigos que fazemos. É nesse espaço confinado que você se torna tão íntima de algumas pessoas que duvida do pouco tempo que as conhece. Aliás, as amizades a bordo são uma parte linda dessa jornada. Hoje tem um pedacinho de mim espalhado pelo mundo, distâncias que as redes sociais tentam encurtar, mas que eu sei que só um abraço apertado vai sanar. São vidas que em poucos meses me transformaram de tal forma que de agora em diante quero partilhar todos os detalhes da minha vida com eles e quero saber deles também. Graças às redes sociais conseguimos manter essa proximidade, com aquela pequena agulhada no coração nos lembrando da longitude do reencontro, mas que enquanto doer é um bom sinal.

 Crew bar antes da meia noite...

...Crew bar depois da meia noite.

Minha experiência foi marcada principalmente pela pandemia que ainda nos assola. Tivemos privilégios que nunca aconteceram antes, ficamos em quarentena como hóspedes, com o navio todinho pra gente. Um sonho! No plano "normal" eu estaria agora terminando minhas férias e me preparando para embarcar novamente em 2 semanas. Mas 2020 tinha outros planos, e por isso não sei nem se volto ao mar esse ano. O aprendizado foi interrompido e os reencontros adiados, mas nunca me passou pela cabeça que não vão acontecer. É só questão de esperar mais um pouco. 

E eles foram a melhor parte dessa aventura. 

Minha gangue 💗

Minha mala está pronta e meus braços ansiosos para envolver novamente esses queridos que já fazem parte da minha vida há tantos anos afetivos.

São só lembranças...

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Conhecendo São Cristóvão e Nevis

Antes de começar, posso chamar de St. Kitts? Eu dou muita importância a nomes, sei que esse país tem um nome em português, mas vou chamar pelo nome em inglês mesmo por motivos de: é mais fácil e eu gosto mais. Então tá.

A imensidão do mar enquadrada na natureza local


Esse pequeno arquipélago do Caribe é o menor país independente da América, formado por duas ilhas principais, a Ilha de São Cristóvão (Saint Kitts) e a Ilha de Nevis. Quem diria! Pois bem, eu conheci a ilha de St. Kitts, um diminutivo carinhoso para Saint Christopher, o nome oficial (em homenagem a Cristóvão Colombo, obviamente, que foi o primeiro a avistar esse pedaço de terra em 1493). Fiz um tour bem curtinho, cerca de 3h, onde passamos pelas ruas da capital Basseterre, visitamos uma fábrica de batique e fomos até Timothy Hill, um miradouro lindo.

Foi uma excursão para cerca de 20 pessoas, com guia explicando os locais por onde passávamos. No centro de Basseterre vimos alguns prédios públicos e casas típicas do local. É uma cidade sem arranha-céus e construções muito modernas. Conserva bem o estilo caribenho de casas e prédios coloridos e baixos, dando ares de cidade pequena. Como não paramos por lá não consegui tirar fotos, porque ou eu apreciava a vista e prestava atenção no guia ou tirava fotos ruins num minibus em movimento. Escolha fácil.

É disso que to falando, era essa a qualidade de fotos que eu conseguiria durante o passeio por Basseterre. Esse é um bairro de casas populares na saída da cidade.

Caribelle Batik

Nossa primeira - e principal - parada foi na Caribelle Batik, uma fábrica de batique, técnica de tingimento de tecidos originária na Ilha de Java, na Indonésia. A fábrica fica a poucos minutos da capital (na verdade tudo lá fica a poucos minutos da capital, já viram o tamanho da ilha? rs). St. Kitts possui uma estrada principal que circunda toda a ilha, facilitando os acessos com vistas bem bonitas ao longo do caminho. 

Informações para visitação na fábrica. Precinho amigo.

O batique consiste em cobrir o tecido de cera nas partes que não quer tingir e então aplicar a tinta. Se quiser fazer uma estampa colorida é preciso aplicar várias camadas de cera, uma para cada cor. Após cada aplicação lava-se o tecido para retirar completamente a cera. O resultado final fica incrível, com nuances de forma e um efeito bonito de trabalho manual. 

A visita é livre e começa pelos belíssimos jardins da propriedade. Então seguimos para uma sala onde é feita a demonstração da técnica e onde tem uma loja com os produtos a venda. A Caribelle Batik existe desde 1976 e produz peças únicas usando o centenário método indonésio. Nem só de cangas, toalhas e lençóis vive o batique. De vestidos a bolsas, são inúmeras as opções de peças e acessórios feitos na Caribelle. Um show de cores. 

Demonstração de batique na Caribelle Batik. No alto tem uma sequência de quadros com um coqueiro, demonstrando todos os passos para chegar no resultado final. Quanto mais cores quiser, mais passos a seguir e mais camadas de cera.


Batique nos jardins da fábrica

A Caribelle fica numa propriedade histórica colonial, chamada Romney Manor, e preserva grande parte dessa história, como árvores centenárias, e partes da construção original. 

Parte da construção centenária de Romney Manor

Timothy Hill

Partindo de lá fomos para a segunda e última parada do dia, o Timothy Hill. Um miradouro de onde se avista de um lado o Oceano Atlântico e do outro o Mar do Caribe. 

Visitar a fábrica foi muito bom, gostei de aprender um pouco da história e dessa técnica tão curiosa de tingir tecidos, além de estar num lugar muito bonito. Mas o Timothy Hill foi minha parte favorita do tour, sem dúvida. Paramos apenas por alguns minutos para ver e tirar fotos, mas por mim ficaria horas caminhando pelo local, descobrindo ângulos diferentes, apreciando a vista... gosto muito de miradouros e me perder pelos horizontes. É de onde mais nos apercebemos da grandiosidade e imensidão que é nosso planeta. 

Do lado esquerdo o Atlântico, do lado direito o Mar do Caribe. 

Tudo pra dizer que o lugar é lindo. O miradouro fica na beira da estrada, facílimo de achar e tinha bastante gente e uma barraca grande com souvenirs. Além disso também encontramos por lá um tipo de turismo que não apoio: exploração de animais. Alguns locais com pequenos macacos ofereciam os bichos para tirar foto. Eles estavam acorrentados ao dono e usavam fraldas descartáveis. Recusei logo quando me abordaram, mesmo já tentando colocar o macaco no meu braço sem perguntar antes. Deu dó dos bichinhos...

Enfim, tirando esse pormenor, o passeio foi incrível e muito informativo. Não tenho informações sobre a agência que promoveu o tour porque foi tudo organizado pela empresa de cruzeiros onde eu trabalho, eu só compareci ao local. Estando lá é bem acessível fazer essas visitas por conta própria também. Porém recomendo o passeio guiado pela capital, para aprender mais sobre esse país tão desconhecido.

Um pouco de história e curiosidades

Como já falei lá em cima, São Cristóvão e Nevis é o menor Estado soberano da América, embora ainda faça parte da Commonhealth. Possui cerca de 55 mil habitantes e mais que isso de macacos. Nosso guia explicou que St. Kitts tem mais macacos que pessoas, por isso a exploração animal é tão comum, infelizmente. A fruta-pão (breadfruit) faz parte da rotina alimentar local e é largamente produzida nas ilhas. Trazida da Malásia pelos ingleses para as colônias nas Antilhas, essa fruta se adaptou bem ao clima e solo locais e é uma importante fonte de alimentação para a população até hoje. Outro cultivo importante até os anos 2000 era a cana de açúcar. Foi a primeira colônia caribenha a receber e produzir o fruto, por séculos, até interromper em 2005, por não ser mais rentável. 

Sua independência é bem recente, de 1983. Foi colonizado por França e Inglaterra desde o séc. XVII. Como todas as colônias, traz marcas profundas desse período. Uma delas é um episódio que ficou conhecido como "Bloody River", um massacre onde cerca de 2000 nativos forram assassinados por ingleses e franceses em 1626, que aconteceu às beiras de um pequeno rio próximo à capital. As mortes foram tantas que as águas do rio ficaram vermelhas de sangue, daí o nome. Hoje em dia existe ali um memorial (Bloody Point) para não deixar que essa marca se apague. 

Local onde aconteceu o massacre aos nativos e escravos, conhecido como Bloody River. O rio passa à direita das placas, não foi um ponto de descida, então não consegui fotos melhores.

A população nativa foi praticamente dizimada no período colonial e atualmente os são-cristovenses são maioritariamente descendente de escravos africanos. Nosso guia também falou sobre a simbologia das cores da bandeira atual do país, verde: fertilidade; vermelho: os massacres sangrentos; preto: os escravos africanos; amarelo: luz do sol; as duas estrelas em branco: esperança e igualdade.

St. Kitts possui seis universidades internacionais (fiquei impressionada pelo número, considerando o tamanho do país), pois eles acreditam que a educação é o melhor caminho. O nível de alfabetização é altíssimo, cerca de 98% da população é alfabetizada. É um povo orgulhoso de sua terra e de sua natureza.

Árvore centenária nos jardins da propriedade da Caribelle Batik


Não tive tempo para explorar mais a ilha de St. Kitts e não fui à Ilha de Nevis, mas foi o suficiente para entender que os locais amam seu lugar e tem orgulho de sua história. Nosso guia se referia o tempo todo à "nossa bela ilha" e um outro são-cristovense passou por mim enquanto eu visitava a fábrica de batique e perguntou "você gostou da nossa bela ilha?" Mais tarde fui perceber, pesquisando aqui no google um pouco mais sobre St. Kitts, que o hino nacional deles se chama "O Land of Beauty". Que incrível ver pessoas crescerem com tanto orgulho da própria terra, felizes em receber visitantes e orgulhosos de mostrar sua história. 

Anota aí ;)

terça-feira, 24 de setembro de 2019

O melhor de Paris é a Disney

É sim. Que me desculpem os amantes da torre, mas em duas visitas à cidade-luz com minha irmã o que mais gostamos foi ir pra Disney. Da próxima vez nem na cidade passamos mais, né Talinha? hahah

Faz quase um ano que estivemos lá e agora é que finalmente vou escrever sobre a experiência. Nunca é tarde pra recordar. Vem comigo.

No dia que chegamos o tempo estava bem feio, ameaçando chover. Mas onde eu vou nunca chove porque eu não permito, então melhorou. :D

Primeira informação importante: é um destino caro. Caríssimo! Os preços das entradas variam bastante dependendo da época e de quantos dias você vai. Compramos os ingressos com bastante antecedência para época baixa e custou cerca de 150€ cada uma por 2 dias, para os 2 parques. O preço é alto, mas TODOS os brinquedos estão incluídos e você pode entrar e sair quantas vezes quiser nesses 2 dias. O que aconselhamos é não fazer isso, mas ficar um dia inteiro em cada parque para aproveitar ao máximo. 

Como chegar

Nós fomos direto do aeroporto pra Disney de comboio (RER). Chegando em Paris-Orly pegamos o RER B até Châtelet-Les Halles e trocamos para o RER A com destino a Marne-La-Vallée - Chessy, a nossa parada. A estação fica bem na entrada dos parques, então também serve para quem vem de Paris e vai só passar o dia. Nós resolvemos nos hospedar no complexo Disney mesmo, porque o objetivo da viagem era visitar os parques, então preferimos ficar por perto.

Ao lado da estação tem um shuttle circular gratuito que passa em todos os hotéis várias vezes ao dia. Então chegando lá já não precisa se preocupar com transporte, é só checar os horários de partida do shuttle e se divertir. 


Onde ficar

Ficamos hospedadas num hotel do complexo Disney, o Kyriad. Não um dos temáticos que ficam na entrada do parque, mas nos arredores. Como a Disney fica um pouco afastada de Paris, vale a pena ficar por lá mesmo, pra não perder tempo - e dinheiro - com transporte. Existem várias opções de hotéis, mas todos pelo menos 3* e muito bons. A vantagem de ficar num hotel da Disney é que você já entra no clima, porque mesmo os simples são meio temáticos, decorados e têm o shuttle pra te levar pro parque e trazer de voltar no fim do dia em 10 minutos. Excelente opção depois de um dia de horas de caminhada pelos parques. Os preços variam bastante também dependendo do nível de conforto que você procura. O nosso custou cerca de 220€ em quarto duplo por 3 noites, sem café da manhã.

Disney Village

Assim que chegamos fomos ao hotel deixar a bagagem e voltamos para aproveitar a parte externa dos parques na tarde do primeiro dia, o Disney Village. É onde ficam os restaurantes e lojas e tem entrada gratuita. Preparem os bolsos, é tudo caríssimo! Gente, é quase impossível comer por lá sem vender uma córnea. Um hot dog simples tipo pão com salsicha + refrigerante custa uns 10€. As refeições eram por volta de 25€/prato. Nas lojas de lembrancinhas, roupas e acessórios - que tem de tudo que você pode imaginar referente a TODOS os personagens Disney - orelhinhas da Minnie por 12€, um gorro custava 16€, camisetas por volta de 25€, chaveiros por 4€... tudo é inflacionado e não adianta pesquisar muito, já te adianto que em todas as lojinhas o preço é o mesmo.

Disney Village decorada pro natal

Acabamos comendo no Mc Donalds mesmo, por quase 10€ o menu, mas que pelo menos é uma "refeição" que enche a barriga. São só 3 dias, não pira. Foca em não ficar com fome.

O Disney Village é um lugar pra passear e ter um gostinho do que vai ser a visita aos parques. Já é o mundo mágico da Disney, mas vale a pena pra quando se tem tempo livre ou no fim do dia para comer algo. Nós fomos lá um dia antes de entrar nos parques, porque o ingresso passa a valer no dia que valida, e não valia a pena desperdiçar uma entrada só por algumas horas. Reservamos um dia inteiro para cada parque e quase não deu tempo de aproveitar tudo.

 Uma loja só de Lego

Detalhe do teto da loja mais bonita de todas!

Disneyland Park

Primeiro dia oficial. Lá vamos nós! Apesar de ser dezembro, estar bastante frio e ter previsão de chuva, amanheceu um dia lindo e ensolarado quando fomos conhecer o castelo da Cinderela.

Calma, essa é só a entrada.

Avistando o castelo. Olha esse céu perfeito!!

Magia!! É só isso que você sente dentro da Disney, uma terra de magia, de fantasia, de conto de fadas. Cada detalhe é construído para que você se sinta num mundo de sonhos. E essa sensação é incrível. O prédio de entrada é um castelo impressionante que só aumenta a expectativa para o que vamos encontrar dentro do parque. O lugar não é grande o suficiente para se perder propriamente, mas pegamos o mapinha que indica todas as atrações e brinquedos, porque o dia era curto para tanta coisa que queríamos fazer e era melhor ganhar tempo planejando bem o percurso.

Uma esquina qualquer no Disneyland Park

Todos os brinquedos são incluídos no preço do ingresso - uma preocupação a menos, mas cuidado com as filas. Não existe temporada baixa na Disney, existe alta e altíssima. Não importa o dia que você for, vai estar cheio, principalmente nos brinquedos mais concorridos. Nossa estratégia foi chegar um pouco antes da hora do parque abrir (já com uma pequena multidão na entrada) e seguir direto para os que poderiam ter mais fila para garantir logo. Deu certo, mas com a ajuda do fast pass, que vou falar lá nas dicas.

Esse parque é dividido em áreas temáticas: Adventureland, Frontierland, Discoveryland e Fantasyland. Cada uma tem um clima e brinquedos diferentes de acordo com o tema, todas valem muito a pena, mas diria que a Fantasyland é a mais infantil, então se não estiver com criança pode deixar essa mais pro fim do dia que não vai ser ruim se perder os brinquedos. 

Frontierland, cruzando o faroeste.

Pra comer não tinha dinheiro, mas pra um pirulito gigante de 4€ tinha. #prioridades

Começamos pelo lado da Frontier e Adventureland, com os brinquedos mais radicais e atrações mais de adultos. A Disneyland Paris não tem montanhas-russas gigantescas, mas as que tem são bem legais, com a maior parte interna, bom pra não congelar as mãos no inverno. Na Big Thunder Mountain nem a luva protegeu direito, saí de lá achando que ia perder os dedos das mãos.

Aquela foto espontânea que você respeita. Big Thunder Mountain.

Um passeio de barco na Frontierland. Tudo é um cenário incrível que te transporta pra lugares diferentes.

Explorando Adventureland com o pirulito que virou meu companheiro por dias. Nunca mais acabava. Excelente investimento.

Fantasyland, a terra da Alice.

Do alto do Palácio da rainha de Copas. Fantasyland.

Desfile e Show de luzes

Diariamente acontece o tradicional desfile e show de luzes nesse parque. O desfile é sinalizado no mapa e tem que chegar pelo menos uns 30 minutos antes em qualquer lugar por onde ele passa para ver bem. Fica lotado. O mesmo vale para o indescritível show de luzes no castelo da Cinderela. Gente do céu! É de tirar o folêgo e fazer esquecer todos os problemas da vida. Uns minutos de mergulho na fantasia e na beleza da magia Disney. Imperdível!

O desfile. Não chegamos cedo o suficiente para ter um bom lugar, mas o pouco que vimos foi lindo.

Eu não sei nem descrever o espetáculo de luzes. Vou deixar umas fotos aqui pra tentar dar uma ideia do que é. E o que você imaginar não passa nem perto...




Segue um link que encontrei no youtube com a gravação do show que vimos: https://www.youtube.com/watch?v=UWX9YA_1ACs. Sim, o show dura uns 20 minutos.

Walt Disney Studios Park

Hollywood, cheguei!! Esquece a terra de conto de fadas, aqui é luzes, câmera, ação! Entramos no mundo do cinema. No segundo dia visitamos um parque completamente diferente do anterior, um pouco menor, onde você se sente parte de um filme o tempo todo. Também é dividido em 4 áreas: Front Lot (entrada), Production, Backlot e Toon Studio. 

Aqui não tem palácio de princesa.

Luzes, câmera, ação!

Corremos direto pra Backlot e Production, onde tem os brinquedos mais radicais, como a Rock 'n' Roller Coaster starring Aerosmith, a montanha russa famosinha que, na minha opinião, perde pra Big Thunder. É toda interna, com luzes e música muito alta, estilo rock'n roll radical. Nem quis voltar.

Nem parece que tem uma montanha russa aí dentro. E é grandinha.

Agora, anota aí: The Twilight Zone Tower of Terror. Foi o brinquedo que mais gostei nesse parque, um elevador que despenca num prédio abandonado e mal assombrado. Fomos umas 2 ou 3 vezes. O Walt Disney Studios não é tão concorrido como o Disneyland Park e muita gente faz os 2 num dia só, passando a manhã no outro parque e a tarde no Wal Disney Studios. Então de manhã esse parque é beeem mais tranquilo. Dá pra aproveitar de boa sem grandes filas.

Entrada do hotel abandonado da torre do terror.

Tem brinquedo do Ratatouille (e restaurante também, mas com aquele precinho, então passamos), Procurando Nemo, Toy Story, Armageddon... 

Fica pra próxima, Ratatouille.

Nesse parque tem as apresentações mais legais durante o dia, como um show de dublês. Vale a pena ficar de olho nos horários dos espetáculos (todos já incluídos no ingresso).

Um dos espetáculos mais concorridos é esse de dublês de carro e moto. Muito legal!

No fim do dia também tem show de luzes nesse parque, mas não ficamos pra ver. Estávamos mortas de cansadas, já tínhamos visto o show de luzes principal e estava muito frio pra ficar esperando na rua por mais de meia hora. Resolvemos voltar pro hotel para descansar, porque seguiríamos viagem no dia seguinte. O bom de viajar é isso também, não se sentir obrigada a nada. Se não quer ver alguma coisa não vá por obrigação, porque "tem que". Você tem só que se divertir, então se quiser ir embora, ótimo.

Natal na Disney

Todos os dias do ano são especiais na Disney, mas épocas festivas são extra-especiais. Vários shows temáticos, espetáculos de dança, musicais... os parques focam as atrações no evento e é lindo de ver! Além de ser natal, ano passado comemoraram os 90 anos do Mickey! Sorte a nossa.

Mais um musical prestes a começar


Happy birthday!!

Dicas e curiosidades

- Atenção com o ingresso, a entrada vale só pra 2 dias mesmo, com data marcada. Não são 48h a partir da validação. O melhor é comprar para o dia seguinte da sua chegada, para aproveitar bem o dia inteiro.

- Falei sobre o fast pass. É uma dica importantíssima!! Ainda bem que Talinha já tinha ido a Disney em Orlando e veio com todas as dicas boas pra gente não comer mosca. Fast pass é espécie de reserva que você faz no brinquedo que quer ir. Por exemplo, chega lá 10h e procura a maquininha que tá distribuindo o fast pass. Digamos que só tem pras 11h30, você pega esse bilhete e volta 11h30, entrando direto sem passar pela fila normal. A vantagem? Em alguns brinquedos se você entrar na fila 10h é capaz de ainda estar esperando às 11h30. Ouvi dizer que há esperas de 3h em altíssima temporada. Os fast pass são limitados e nem todos os brinquedos tem, então vale entrar e pegar logo vários horários diferentes dos brinquedos mais concorridos.

- Outra opção para evitar ou reduzir as filas é o single rider. Uma fila especial para quem não se importa de ir sozinho nos brinquedos. Tipo, tem 4 lugares no brinquedo e um grupo de 3, você pode ocupar o lugar extra. Quem está com você vai na próxima vaga extra. Usamos muito essa alternativa quando não tinha fast pass. Se fizer questão de ir junto tem que esperar na fila normal mesmo.

- Vá com o sapato mais confortável que tiver. Você vai andar o dia inteeeeeiro e não vai querer machucar seu pé "pra ficar bonito na foto", né? Eu fui com bota de trilha e Talinha foi com uma bota de inverno estilo pantufa que comprou pra isso. Nossas fotos ficaram mais bonitas pelos sorrisos do que pelos sapatos fashions. O conforto vale pra roupa também.

Pouca mala e sapato confortável. Ready to go!

- Se tiver um previsão de tempo ruim leve capa de chuva. É muito melhor e mais prático que guarda-chuva no meio da multidão. Na Primark vende umas baratinhas que viram bolsa, sabe como é? Ou, no inverno, um casaco impermeável com capuz.

- Não é permitido levar selfie stick. Bom saber disso antes que o seu fique retido na segurança.

- Sim, você vai ver as crianças vestidas de princesas e super heróis. É surra de fofura o dia inteiro. E os adultos usam chapéus, gorros, tiaras. Todo mundo entra no clima. Eu, se tivesse coragem de gastar esse dinheiro, comprava um vestido da Bela. :D

- Dentro dos parques também tem lojas, muitas lojas! Lá tudo te empurra pra comprar o tempo todo. Compramos um gorro e uma camiseta porque queríamos muuuuito e íamos usar depois dali. As famosas orelhinhas da Minnie que todo mundo usa dentro do parque não valiam o investimento.

- Existe um aplicativo da Disney muito útil, com todos os horários dos espetáculos, tempo estimado de espera em cada brinquedo, mapa etc. Tem para iphone e android e é bem intuitivo. 

Musical especial de natal que descobrimos pelo mapa. Tem também no aplicativo.

A Disney é um mundo mágico! É um lugar pra escapar da realidade, pra se sentir criança, pra se admirar em cada esquina com cada detalhe. Nada está ali por acaso. E acho que, com a realidade que vivemos hoje, todos nós merecemos um dia de conto de fadas.

Eu e meu inseparável pirulito do Mickey